Comunicados

É com profundo pesar que comunicamos o falecimento do Prof. Irajá Damiani Pinto ocorrido hoje dia 21 de junho de 2014.

O velório será no dia 22/06, das 8h às 11h, no Crematório Metropolitano São José (Av. Oscar Pereira, 584).

às 11h será iniciada a cerimônia de despedida.


 

O prof IRAJÁ DAMIANI PINTO nasceu em Porto Alegre em 1919.

Em 1942, iniciou seu curso de História Natural na Faculdade de Filosofia da então Universidade de Porto Alegre. Graduou-se bacharel em 1944, tendo o diploma nº 1 registrado à folha 1 do livro 1 daquela Faculdade. Licenciou-se no ano seguinte, no mesmo curso. Durante o curso de graduação foi contratado pela Universidade como auxiliar de ensino. Em 1945, ainda como aluno no curso de licenciatura, foi contratado como Assistente das Cadeiras de Geologia e Paleontologia. Nesse ano, participou de sua 1ª excursão científica chefiada pelo Dr. Llewelyn Ivor Price, que muito contribuiu com sua orientação científica. Ainda em 1945 realizou estágio no DNPM, no Rio de Janeiro, com o Dr. Paulo Ericksen de Oliveira e orientado pelo Dr. Price e, com recursos que seu avô lhe emprestara, começou a formação da biblioteca de Geologia e Paleontologia da Universidade, adquirindo nos Antiquários as primeiras revistas e livros.

Em 1946, assumiu a regência da disciplina de Paleontologia na mesma Faculdade e de Professor Adjunto no Colégio Estadual Julio de Castilhos. A falta de reconhecimento da sua atividade de pesquisa no campo das Ciências Naturais pela Universidade, fez com que resolvesse prestar vestibular para Medicina onde ingressou em 1952. Em 1953 já no 2º ano, recebeu bolsa da Universidade de São Paulo proposta pelo Prof. Paulo Sawaya que considerava importante a continuação dos trabalhos que vinha realizando na Paleontologia. Assim, foi para a USP onde fez seu curso de doutoramento, embora desde 1950 fosse Catedrático de Geologia e Paleontologia da Universidade. Na USP contou com a colaboração extraordinária de professores do Curso de História Natural, em especial de Josué Camargo Mendes e marcante influência de Viktor Leinz. Em 1953, passou a organizar o Instituto de Ciências Naturais da UFRGS tendo sido eleito seu diretor, exercendo mandato até 1957. Neste período, com a visita da extraordinária personalidade de Harry Miller da Rockefeller Foundation pôde obter substanciais recursos financeiros especialmente para os setores de Genética, Paleontologia e Botânica, os quais modificaram totalmente as condições de trabalho fundamentalmente com relação à bibliografia e equipamento. Em 1956, convidado pela Petrobrás, organizou na Bahia o 1º curso de formação de geólogos de Petróleo. Em seu retorno a Porto Alegre, foi convidado para organizar o Curso de Geologia que se iniciava na Universidade, transformando-a na 1ª Escola de Geologia do país, reconhecida pelo MEC. Foi seu diretor por 11 anos. Em 1968, implantou o Curso de Pós-Graduação em Geociências a nível de mestrado e doutorado. Como pesquisador, criou as primeiras revistas na Universidade na área de Ciências Naturais, o que permitiu grande intercâmbio internacional contribuindo assim para a formação de uma das melhores bibliotecas nesta área no país.

Neste período, organizou e dirigiu o Centro de Investigação do Gondwana. Foi bolsista da Rockefeller Foundation, British Council, Cooperation Technique Française, Agency for International Development e Academia de Ciências da União Soviética. Em 1974, foi eleito Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul, sendo reeleito duas vezes, permanecendo por 9 anos naquela posição.Deixou aquele cargo para dedicar-se com mais afinco às suas pesquisas e ao novo Centro que havia criado no Litoral gaúcho - o CECLIMAR - Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos cuja direção exerceu por 11 anos.

Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Geologia em 1968/1969 e 1978/1979. Foi Membro e Coordenador da Comissão de Geologia do CNPq. Além das Medalhas José Bonifácio de Andrada e Silva, Llewelyn Ivor Price e Silvio Torres, recebeu outras de municípios gaúchos e homenagens especiais de cientistas estrangeiros que lhe dedicaram espécies novas de ostracode, o Dr. Karl Krömmelbein da Kiel Universität; de conchostráceo o Professor Emérito Paul Tasch da Wickita State University; a Dra. Laurence Beltán do Museum d'Histoire Naturelle de Paris, bem como de pesquisadores nacionais. Como Professor Universitário, suas pesquisas resultaram em 37 trabalhos sobre insetos fósseis, 22 sobre ostracodes recentes e fósseis e 28 com fósseis de grupos tais como: filópodes, malacostráceos, corais, escolecodontes, ictiodontes e arachnida. Nestes grupos foram orientados, além de uma série de pesquisadores de várias universidades, 22 mestres e 8 doutores.
Em 1990 recebeu o título de Professor Emérito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Na Universidade, foi designado ou eleito membro e Presidente de inúmeras Comissões e Bancas, tendo inclusive sido eleito em lista sextupla para Reitor da Universidade.

 

Pesquisas

Ostracodes atuais e fósseis, malacostráceos e insetos fósseis (sistemática, ecologia, bioestratigrafia).

Títulos

Bacharel (História natural) - Faculdade de Filosofia - Universidade de Porto Alegrel - 1944.
Auxiliar de ensino - Faculdade de Filosofia - Universidade de Porto Alegre - 1944.
Licenciado (História natural) - Faculdade de Filosofia - Universidade de Porto Alegre - 1945.
Professor assistente de regência (Paleontologia) - Faculdade de Filosofia - Universidade de Porto Alegre - 1945.
Professor assistente - Escola de Engenharia - Universidade de Porto Alegre - 1945.
Primeiro regente da cadeira de Paleontologia - Faculdade de Filosofia - Universidade Católica do Rio Grande do Sul - 1946/1952.
Professor auxiliar - Faculdade de Filosofia - 1948/1950.
Professor catedrático (Geologia e Paleontologia) - Faculdade de Filosofia - Universidade do Rio Grande do Sul - 1950/1968.
Professor (Paleontologia geral e Paleontologia superior) - Escola de Geologia - Universidade do Rio Grande do Sul - 1958/1963.
Doutor (Geologia) - USP - 1972.
Professor emérito - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - 1991.

(Fonte: Academia Brasileira de Ciência)

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